Como organizar fotos antigas e transformá-las na história da sua vida (não só em pastas arrumadas)
Pesquise “como organizar fotos antigas” e você vai encontrar bons conselhos sobre caixas, pastas e nomes de arquivo. Mas uma caixa bem organizada continua sendo uma caixa. O que as famílias costumam perder não é a foto em si. É a história por trás dela: quem está ao lado da avó, por que todo mundo está rindo, que verão era aquele e o que aconteceu na semana seguinte.
Este guia é sobre guardar as duas coisas: algumas boas cópias das fotos que importam, e os momentos a que elas pertencem, na ordem em que aconteceram.
Passo 1. Junte tudo, depois escolha
Comece levando tudo para uma mesa só: álbuns, caixas de sapato, os envelopes de papel em que as fotos voltavam da revelação, porta-retratos das paredes, a gaveta na casa dos seus pais.
Depois resista à vontade de digitalizar tudo. As orientações da Biblioteca do Congresso dos EUA sobre como guardar fotos digitais têm o mesmo passo: escolha as imagens que você considera especialmente importantes. Três pilhas funcionam bem:
- Momentos. Fotos que carregam alguma coisa: um primeiro dia em algum lugar, uma pessoa que foi importante, uma casa que já não existe, uma virada. Essas você digitaliza e sobre elas você escreve.
- Talvez. Guarde, mas não digitalize ainda.
- O resto. A décima primeira foto da mesma praia. Fique com a melhor de cada sequência.
Enquanto separa, a Biblioteca do Congresso recomenda manusear as fotografias com as mãos limpas e pelas bordas e evitar escrever nelas; se precisar, escreva no verso, perto da borda, com um lápis de grafite macio.
Passo 2. Digitalize as que você escolheu
Com o celular. O app gratuito PhotoScan, do Google, para Android e iPhone, foi feito para fotos impressas. Ele guia você em várias fotos da mesma imagem e depois junta essas imagens para eliminar o reflexo, encontra as bordas, endireita e gira a foto. Se usar a câmera comum, desligue o flash, deixe a foto bem plana sob uma luz natural suave e segure o celular paralelo a ela.
O seu celular também tem um scanner de documentos: Escanear Documentos no Notas ou no Arquivos, no iPhone e no iPad, ou o scanner do app Google Drive, no Android, que pode salvar em .jpg além de PDF. Eles são feitos para páginas, o que os torna bons para a outra metade do trabalho: o que está escrito à mão no verso de uma foto, cartas, certidões e qualquer outra coisa que ajude a datá-la.
Com um scanner de mesa. Use um para as fotos que você talvez queira reimprimir ou ampliar. O guia da Biblioteca do Congresso Scanning Your Personal Collections (como digitalizar suas coleções pessoais) dá configurações simples:
- Limpe antes o vidro e a foto.
- Documentos costumam ser digitalizados a 300 dpi. Fotografias que você pretende ampliar para 8 x 10 polegadas (cerca de 20 x 25 cm) ou mais podem ser digitalizadas a 400 ou 600 dpi; acima de 600, pode ser desnecessário.
- Tons de cinza são o melhor para fotos em preto e branco; cores, para as coloridas.
- Salve as fotos coloridas em JPEG de qualidade média, ou de alta qualidade se quiser reimprimi-las.
- Comece o nome do arquivo pela data (ano, mês, dia), como 20100915-casamento.jpg, para que os arquivos se ordenem sozinhos no tempo.
Seja qual for o método, digitalize também o verso da foto se houver algo escrito nele.
Passo 3. Descubra a data da foto que ninguém datou
A maioria das fotos antigas não tem data. Algumas formas de chegar perto:
- O verso e a borda. Algo escrito à mão, o carimbo de um estúdio, a marca de um laboratório ou uma data impressa no canto pela câmera.
- As pessoas. Se você sabe o aniversário de alguém, a idade aparente da pessoa dá uma faixa de poucos anos. Um bebê ou uma criança pequena estreita ainda mais.
- O fundo. Carros, letreiros de lojas, um prédio que depois foi demolido, o papel de parede de um apartamento que você sabe que deixou em determinado ano. Neve ou roupa de verão indicam a estação.
- As vizinhas. Fotos do mesmo envelope ou da mesma página do álbum muitas vezes são dos mesmos meses. Date uma e você tem uma pista para as outras.
- Seus marcos. Onde você morava, em que escola estudava, em que emprego trabalhava. Com isso numa linha, “o inverno antes da mudança” vira um ano. (Mais sobre marcos em como fazer uma linha do tempo da sua vida.)
- Outras pessoas. Um parente muitas vezes data uma foto por um único detalhe: “Esse é o casaco que eu comprei para o seu batizado.”
Quando não tiver certeza, dê o seu melhor palpite e deixe isso por escrito: “provavelmente verão de 1974”. Um palpite honesto no lugar certo vale mais do que um espaço em branco.
Passo 4. Da foto ao momento
Uma foto mostra o que estava na frente da câmera. Ela não diz o que aquilo significou. Para cada foto da pilha “momentos”, anote quatro coisas enquanto alguém ainda se lembra delas:
- Quem está nela: nomes completos e o parentesco ou a relação com você.
- Onde foi: a cidade, a rua, a casa de quem.
- O que aconteceu: a ocasião, e o que aconteceu logo antes e logo depois da foto.
- O que se sentiu, na época e agora.
Compare “Praia, 1983” com “O último verão da tia Rita no mar. Eu tinha sete anos, ela me ensinou a nadar naquela semana, e todo mundo sabia que ela estava doente, menos eu.” O segundo é um momento. O primeiro é um nome de arquivo.
Várias fotos de um mesmo dia são um único momento. E alguns dos momentos mais importantes nunca foram fotografados; eles também têm lugar na linha.
Se a história não é sua, pergunte a quem ela pertence. Sente-se com essa pessoa diante de uma pequena pilha de fotos e deixe o celular gravando em cima da mesa. Uma foto responde sozinha ao “por onde eu começo?”, e perguntas como “quem tirou esta?” ou “o que aconteceu depois?” trazem à tona o que nenhuma legenda tem. Temos uma lista de perguntas para fazer aos seus pais para essa conversa. Guarde a gravação: um dia a voz pode importar tanto quanto a foto.
Passo 5. Coloque os momentos numa linha
Quando cada foto tiver virado um momento com data, pare de organizar por caixa e comece a organizar pelo tempo. Em ordem, os momentos mostram coisas que uma pasta nunca vai mostrar: os anos que foram cheios e os que ficaram quase vazios, as pessoas que aparecem e depois deixam de aparecer, a mudança depois da qual tudo parece diferente.
Essa linha também é uma boa matéria-prima para escrever: os momentos viram as suas cenas, e as viradas, os seus capítulos. Veja como escrever a história da sua vida.
Passo 6. Guarde cópias em mais de um lugar
Uma foto digitalizada que só existe num celular está a uma queda do celular de desaparecer. Uma regra dos fotógrafos, também recomendada num guia do US-CERT sobre backups, é a 3-2-1:
- 3 cópias de cada arquivo importante: uma principal e dois backups.
- 2 tipos diferentes de mídia, como o seu computador e um serviço de nuvem ou um pen drive.
- 1 cópia fora de casa.
As orientações sobre fotos da Biblioteca do Congresso acrescentam dois hábitos: conferir as cópias pelo menos uma vez por ano, para ter certeza de que ainda abrem, e fazer cópias novas em mídias novas a cada cinco anos, ou quando for preciso.
Guarde também os originais. Deixe as fotos impressas num lugar fresco, seco e estável, não no sótão nem no porão, e evite álbuns “magnéticos” ou com páginas autoadesivas (as duas recomendações, de novo, vêm da página da Biblioteca do Congresso sobre cuidados com fotografias).
Como fazer isso no Lifeline
O Lifeline é uma linha do tempo particular dos grandes momentos da sua vida, então os passos 4 e 5 são justamente aquilo para que ele foi feito:
- Cada memória tem um título, uma data, as suas próprias palavras e, no plano gratuito, até 10 fotos, um vídeo e uma nota de voz, além de uma música e do que você sentiu. Uma foto da tia Rita, o verso da foto impressa e a história gravada da sua mãe podem ficar na mesma memória (uma nota de voz por memória no plano gratuito; uma gravação compartilhada a partir de outro app pode ter até 25 MB).
- Qualquer dia a partir de 1900 pode ser a data de uma memória, então o casamento dos seus avós pode ficar décadas antes do seu nascimento. Não existem datas só com o ano: escolha o seu melhor palpite para o dia e escreva no texto o quanto você tem certeza.
- Não há campos separados para pessoas ou lugares. Escreva os nomes no texto, e a busca vai encontrá-los depois (a busca olha o título, as palavras, a data e a emoção; as palavras das memórias bloqueadas não entram na busca).
- Não há importação em massa da galeria. Você adiciona as fotos uma memória de cada vez, pela própria memória ou compartilhando-as a partir do seu app de fotos. Isso combina com a ideia de “escolher primeiro”, mas significa que o Lifeline não é o lugar para despejar uma caixa inteira de fotos digitalizadas.
- O Lifeline guarda só uma cópia mais leve de cada foto, para ver na tela, e fotos com mais de 10 MB não podem ser anexadas. Mantenha as digitalizações em tamanho original e as fotos impressas como as suas cópias principais.
- Você pode bloquear uma memória com uma senha mestra: as palavras dela são criptografadas no seu celular. Título, data, emoções, fotos, vídeos e notas de voz não são criptografados.
- Exportar é grátis: um ZIP com os seus textos e fotos, ou uma única memória em PDF. Isso pode ser uma das suas cópias 3-2-1 das histórias (as fotos ali são as cópias mais leves).
Perguntas frequentes
Em que resolução devo digitalizar? Para fotos impressas comuns, o blog de preservação digital da Biblioteca do Congresso recomenda 300 dpi. Para uma foto que você talvez queira ampliar para 8 x 10 polegadas ou mais, o guia de digitalização da biblioteca sugere 400 ou 600 dpi.
Posso jogar fora as fotos impressas depois de digitalizar? Nós não jogaríamos. Uma digitalização depende de aparelhos, arquivos e contas; uma foto na estante, não. Se o problema é espaço, guarde pelo menos as fotos da pilha “momentos”.
E se ninguém souber quando a foto foi tirada? Use as pistas do passo 3, escolha o seu melhor palpite e anote que é um palpite. Se mais tarde alguém se lembrar melhor, mude.
Comece com dez fotos
Não espere a caixa inteira estar organizada. Escolha dez fotos neste fim de semana, digitalize-as e, para cada uma, escreva algumas linhas: quem, onde, o que aconteceu, o que se sentiu. Dez momentos em ordem de data já são o começo de uma história.